Eu só queria tentar... Tentar gostar de alguém que não seja perfeito, mesmo que não haja um amor prévio. Eu só quero tentar gostar de alguém. Que seja normal e que entenda os meus defeitos, as minhas loucuras quando estou muito segura, e que mesmo que não aprove, simplesmente suporte. Quero gostar de alguém pra assistir televisão, pra escutar as minhas músicas preferidas, pra tirar fotos com o dedo no nariz. Pra ser eterno! Eu quero alguém que me dê suporte mental, que eu me sinta bem ao seu lado. Pra fazer coisas bobas e pra viver comigo as músicas do Nando Reis. Alguém pra divagar sobre poesias e pra querer mudar o mundo. Ou pra assistir simples besteróis americanos. Quero alguém com alma de artista pra me curar de tanta futilidade, pra me falar de filosofia e fazer o café da manha. Que faça planos de filhos, que goste de futebol, pra eu ter do que reclamar... Alguém que seja imperfeito, mas na imperfeição seja perfeito pra mim.
Que goste de “Ás vezes nunca” e que não reclame (ou reclame) quando eu passar 20 vezes no cd a mesma música... Alguém como eu, alguém diferente. Que me escute de madrugada ou que diga que está sem saco pra me ouvir, mas me diga. E que seja sincero, assumindo todos os riscos letais dessa sinceridade ferina. Quero alguém pra eu me flagrar pensando no meio da tarde e conversar a noite toda sobre qualquer coisa inútil, como teorias de conspirações aliens. Alguém pra dividir as canções e ficar sentado na área (naquelas cadeiras de macarrão) observando as estrelas...
E que tenha defeitos e que assim me irrite, me enlouqueça e me ensine. Principalmente que me ensine... Me ensine sobre prazeres e segredos, sobre tristezas e descobertas, sobre amizade e egoísmo, e acima de tudo sobre as mil maneiras de amar.
