11 de Julho

Hoje o dia me parece opaco,
sem a nitidez dos dias habituais,
carregado de um cinza morto
que se alastra por meu olhos latejantes.
Hoje o dia me parece revolucionário,
como se eu tivesse aliviado fardos imensos dos meus ombros,
e apanhado outros logo em seguida.
É um gosto peculiar de pós choro na boca,
nos olhos, no corpo...
Um morno, quase febril da pele
que se contrasta com o ar gelado do inverno goiano.
Me sinto infinitamente só,
perdida num vácuo,
como se vagasse sem referencial.
Desculpe ter te falado a seco aquilo,
não quis te afastar de mim,
mas é que eu não agüentava mais
chorar a noite pensando em você
e me perverter em falsos amores...
Precisava te falar,
como que em uma terapia,
ou numa sessão de descarrego:
jogar pra fora os meus bichos,
botar pra dentro os meus traumas...
E agora, tudo parece envolto por espumas,
intorpecido pela falta de sono a noite passada!
Vou só tentar esquecer....
Escrito por Eu_ às 01h13
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